Entrevista com a blogueira Cláudia Medeiros uma história de superação!

oi meninas hoje aqui no blog o post vai ser uma entrevista com a minha querida amiga blogueira que assim quando eu conheci a história dela já tem um tempinho que é uma verdadeira vencedora resolvi perdi a ela que me desse uma entrevista veja como ficou!!


1.Nome completo idade,cidade de origem?
Meu nome é Cláudia Medeiros de Araújo, tenho 35 anos, sou Professora da SEEC-RN, Mestre em História, Especialista em Geopolítica e História, colaboradora do blog Casadaptada e autora do blog De papo com Claudinha. Nasci em Caicó (RN) em 1981. E em razão de complicações no parto, tenho tetraparesia e escoliose (desvio na coluna) geradas pela siringomielia (espécie de cistos na medula).
2-Como minha deficiência foi compreendida desde cedo pelos seus pais, família e amigos?
Minha mãe conta que teve uma gravidez saudável e tranquila, trabalhava dois horários e fazia faculdade à noite e seguiu essa rotina praticamente até o dia que eu nasci. Entretanto, o momento que eu vim foi um pouco conturbado. Minha mãe começou a sentir as contrações à noite e logo se dirigiu à Maternidade Mãe Quininha, atual Liga do Câncer, e lá passou toda a noite e eu só vim nascer no outro dia por volta das 06 horas e 30 minutos.

Durante o parto a médica obstetra pediu para que a parteira fizesse força sobre a barriga de minha mãe, pois eu não estava nascendo de forma natural. Assim, a médica fez uma espécie de parto fórceps. É importante lembrar que nesse período a cesariana não era viável financeiramente para médicos e hospitais.

Por fim, eu nasci com os pés e as mãos roxas, não chorei e minha perna direita se curvou para cima. A médica no mesmo momento, de forma insensível, olhou para minha mãe e disse “(...) a menina nasceu com problema”, levando na hora minha mãe ter uma forte dor de cabeça.

A médica mandou chamar o ortopedista e enquanto, ele chegava eu fiquei lá sem ser aspirada e com a tesoura que cortou o cordão umbilical pendurada em mim. O resultado da tesoura? Uma hérnia umbilical que ainda hoje “tatua” meu corpo. Já o ortopedista ao chegar olhou para mim e sem pedir nenhum tipo de exame disse que minha perna voltaria ao normal. Entretanto ela jamais voltou, pois meu quadril direito estava luxado e as dores dessa luxação, me fez um bebê chorão.

Fui para casa e aos 21 dias de nascida tive uma parada respiratória. Minha mãe fala que eu morri nos braços dela, e ela desesperada só conseguia chorar e pensar que já tinha perdido a filha. Entretanto, um milagre aconteceu e eu mexi um dedinho do pé e ela imediatamente começou a fazer uma respiração boca a boca até que de repente eu comecei a chorar. E imediatamente ela ligou para minha pediatra que me atendeu e na mesma hora me internou e eu só vim sair do hospital oito dias depois.


Aos três meses de idade minha mãe começou a observar que eu era muito“molinha”, para a idade, não conseguia segurar o pescoço. E a partir daí deu-se início a corrida a diversos médicos especialistas, a realização de exames e sessões de fisioterapia. Cada médico dizia algo diferente chegando, ao ponto de uma das médicas dizerem a minha avó que não me amassem tanto assim, pois se eu não morresse ao completar meus 05 anos morreria ao chegar à fase da puberdade. Minha avó escondeu esse prognóstico médico durante anos da minha mãe e de mim. Também minha mãe quando saiu grávida da minha irmã, uma médica falou que provavelmente a criança também nasceria com deficiência. Entretanto, o tempo passou, eu não morri, meus irmãos nasceram sem nenhuma deficiência.

A partir de um ano de idade comecei a me arrastar e falar, fruto das sessões de fisioterapia. Como morávamos no bairro Castelo Branco minha prima, Rosilene, que morava conosco e a qual considero minha segunda mãe, me levava às sessões de fisioterapia. Como meus pais não possuíam automóvel dependíamos de ônibus, entretanto era comum em razão dos horários dos ônibus que nem sempre eram respeitados pelos motoristas e empresários era comum ela me levar ou me trazer nos braços a pé.


Já no que se refere ao momento de ir à escola minha mãe só decidiu me levar aos 06 anos de idade. Comecei a estudar num Externato e lá aprendi a ler e escrever. A diretora do Externato que também era professora do Educandário Santa Teresinha incentivou minha mãe a me matricular lá. Fiz uma espécie de teste de admissão e fui aprovada para a 1ª série. Lá fiz todo o ensino fundamental, e estudei com outras crianças sem deficiência. O Ensino Médio foi cursado no Ceis e no ano de 2002, ingressei no curso de História do CERES- Caicó – UFRN.

Todas essas instituições não apresentavam total acessibilidade arquitetônica, pois apesar das normas técnicas de acessibilidade existirem, no Brasil, desde 1985 a norma técnica brasileira de acessibilidade só passou a ter eficácia de lei em 2004. Entretanto, apesar da falta de acessibilidade possuíam alguns funcionários humanos além dos meus coleguinhas de classe que davam o “jeitinho brasileiro” para que eu pudesse dar continuidade aos meus estudos. Assim, as demais crianças sempre sob a supervisão dos professores me ajudavam na hora de ir ao banheiro, no momento do recreio; já a escola no momento de distribuir as turmas e escolher as salas me colocava para que eu estudasse no térreo e inclusive me deram bolsas de estudos.
Eu via os estudos como um passaporte para que eu pudesse conseguir no futuro um emprego e por consequência conquistar minha independência financeira. O fato de vê sempre meus pais gastando parte da renda da família com meu tratamento de saúde e a incerteza do meu futuro depois da partida deles me afligia.
Em 2004, consegui uma vaga no Hospital Sarah Fortaleza e lá depois de 15 dias hospitalizada fazendo exames, os médicos chegaram finalmente a um diagnóstico da Siringomielia e da escoliose. A primeira foi proveniente de um trauma provavelmente na hora do parto, que gera fraqueza muscular a qual acarretou a escoliose. Daí o fato de eu nunca ter conseguido andar.
Foi iniciado um processo de Reabilitação, me colocaram para eu andar pequenas distâncias com duas muletas canadenses as quais me trouxeram mais independência e a cadeira de rodas para longos percursos.
Nesse sentido, fui educada por meus pais para que eu tivesse uma vida normal. Entretanto, é inegável que em certos momentos o instinto de proteção foi mais intenso. E no que diz respeito aos amigos tinha os amiguinhos da escola, da rua e depois da faculdade. Com os amigos da rua tenho lembranças extraordinárias, de brincadeiras adaptadas como pular cordas, brincar de escolinha, joguinhos etc. Entretanto, na adolescência eu sempre fui excluída de eventos e shows musicais nos clubes e nas ruas de Caicó pelo fato da total falta de acessibilidade nesses espaços. Sabemos que só no ano de 2012, foi organizado um camarote com o objetivo de garantir o acesso as pessoas com deficiência, como podemos ver no vídeo https://www.youtube.com/watch?v=MOwbmjC0f6U. Entretanto, esse camarote parou de funcionar e garantir os direitos das pessoas com deficiência. Na faculdade sempre tive o apoio de meus professores e colegas, lembro bem que numa viagem de estudo meus colegas e professores me levaram nos braços do local do estacionamento até a porta do Forte dos Reis Magos.
Atualmente saio com amigas para churrascos, jantar e bater papo em casas de outros amigos ou na praça de alimentação, calçadão, barzinhos. Todavia, tenho muita vontade de viajar com minhas amigas durante as férias e feriadões fico “babando” ao ver as fotos delas em lindos lugares, entretanto as agências de turismo de Caicó não se preocupam em criar pacotes que nos incluam.
3-Formação profissional e atuais ocupações
Sou graduada com Bacharelado e Licenciatura Plena em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (2006), especialista em Geopolítica e História pelas Faculdades Integradas de Patos (2008), mestre em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte, onde defendi no ano de 2013 a dissertação intitulada A Representação da Mulher e as Questões de Gênero na Toponímia Urbana de Caicó RN.

Atualmente trabalho na Escola Estadual Padre Edmund Kagerer localizada no Bairro Maynard e sou autora do Blog De papo com Claudinha o mesmo surgiu após a imprensa local, o autor do site Casadaptada e um grupo de alunos do PIBID-UERN terem me convidado para falar sobre questões como preconceito, acessibilidade e inclusão. Percebi que após as entrevistas, reportagens, posts publicados e palestra havia sempre um feedback.
Pessoas me adicionavam nas redes sociais ou quando me encontravam na rua falavam que agora tinham um novo olhar sobre as pessoas com deficiência e me incentivavam a continuar compartilhando minhas experiências. Assim, tive a ideia de mostrar através do blog que as pessoas com deficiência também podem ser eficientes, capazes e competentes.
Para isso, criei o blog com a intenção de compartilhar com meus leitores coisas que gosto, falar sobre minhas experiências e discutir temas como educação, saúde, bem estar, beleza, acessibilidade e entretenimento para Pessoas com Deficiência e sem Deficiência.
Também sou colaboradora do blog Casadaptada (www.casadaptada.com.br) criado em 2012, por Hamilton Oliveira, tetraplégico desde 2010, que criou o blog com a pretensão de “(...) suprir a falta de sites especializados em adaptação e informações acerca da lesão medular, uma casa e mundo acessíveis, assim como novos tratamentos e tecnologia assistiva, com o conteúdo direcionado, notícias e dicas de entretenimento, o blog favorece a troca de informações e experiências entre familiares, amigos e profissionais interessados em se aprofundar em temas pertinentes à todas as deficiências e à luta contra o preconceito”.

Quais as principais dificuldades que você enfrenta em seu dia a dia? Como estes transtornos poderiam ser amenizados?

Os problemas que enfrento no meu dia a dia são provenientes da dificuldade que a sociedade tem de extinguir as barreiras. Existem barreiras sociais e atitudinais, e também barreiras físicas.
As barreiras sociais e atitudinais são as condutas e atitudes de pessoas e da sociedade em geral em relação às pessoas com deficiência. Nesse sentido, essas barreiras se constituem como obstáculos discriminadores capazes de afastar as pessoas com deficiência do convívio coletivo. Nesse contexto discriminador sempre percebo, quando saio à rua, olhares curiosos e comentários de pessoas que não estão habituadas a ver e conviver com o diferente.
Assim, seus olhares e comentários possuem o poder de me dizerem que sou imperfeita, sem instrução, impossibilitada e “anormal”, ou seja, sou uma pessoa classificada como fora do “modelo da normalidade. Assim, é comum quando vou ao médico acompanhada de minha mãe eles perguntarem para ela o que estou sentindo, como se eu não fosse capaz de me expressar. Também é comum quando sou apresentada a alguém ser bombardeada por perguntas do tipo: “Ela estudou? Fez até que série? É aposentada?” E quando falo que sou funcionária pública, tenho pós-graduação surgem as mais diversas reações desde os que me parabenizam até aqueles que dizem “mas, ela tinha o direito de ser aposentada, isso é uma maldade do governo”
Já as barreiras físicas podem ser arquitetônicas, urbanísticas ou de transporte. As arquitetônicas são impedimentos ao acesso e a utilização de prédios públicos ou privados. Nesse sentido, exemplos de barreiras arquitetônicas que me acarretam problemas são as escadas de acesso aos prédios sem elevador, portas estreitas, elevadores pequenos, piso muito liso, inexistência de banheiros adaptados, trocador estreito em lojas de roupas, clínicas médicas, consultórios pequenos que muitas vezes não possibilitam que a cadeira gire, balcões altos para recepcionar pessoas em cadeira de rodas etc.

No tocante, às barreiras urbanísticas é significante destacar aqui as dificuldades que uma pessoa com deficiência enfrenta para transitar de modo tranquilo e independente na cidade de Caicó. São exemplos de barreiras urbanísticas que me trazem problemas: os desníveis em calçadas que impedem a minha locomoção, os desníveis no meio-fio em locais de cruzamento; calçadas estreitas com pavimento estragado, inexistência de vagas de estacionamento ou quando possui, muitas vezes, o espaço é estreito dificultando a minha entrada e saída do carro.

Por conseguinte, as barreiras de transporte são os obstáculos apresentados pela falta de adaptação dos meios de transporte que dificultam meu acesso ao trabalho, aos espaços de lazer, clínicas, hospitais, bancos, lojas etc. Em Caicó não existem ônibus adaptados com rampas, elevadores e cintos de segurança apropriados e auto escolas com veículos adaptados.

Enfim, todas essas barreiras desrespeitam o direito, das pessoas com deficiência e/ou com mobilidade reduzida, de ir e vim. Direito esse que está intrinsecamente relacionado ao conceito de acessibilidade. Enfim, todas as pessoas precisam de autonomia para viverem de modo pleno. Para isso, é preciso que as barreiras que nos cercam sejam eliminadas.

Atualmente como você enxerga as leis que beneficiam as pessoas com deficiência?
O governo federal vem estimulando, nas últimas duas décadas, a inclusão das pessoas com deficiências através de diversas ações, como modo de conduzir dos estados e os municípios na adaptação de políticas e leis locais. A importância dos direitos tem sido aclamado em múltiplos textos legais, regulados nas esferas da União, dos estados e dos municípios.
Nesse sentido, possuímos uma legislação bastante inclusiva chegando nosso país a ser reconhecido em 2009 pela Organização dos Estados Americanos, como um dos 5 países mais inclusivos do continente americano Entretanto, nossas leis ainda esbarram no limite orçamentário, na falta de informação, na falta de educação.Assim, o que precisa ser feito é implantar políticas públicas perenes e adaptáveis, pois as alterações provenientes de uma política pública inserida hoje exigem que ela se modifique, que ela se adapte ao novo contexto.
Ainda é importante lembrar que as crianças de hoje, serão amanhã nossos futuros gestores, (prefeitos, vereadores, deputados, diretores de empresa), os quais vão elaborar políticas públicas integradas e permitirão a ativa participação das pessoas com deficiência no desenvolvimento do Brasil.



OBRIGADA!Cláudia Medeiros pela entrevista maravilhosa fico feliz que minhas seguidores conheça sua história de superação foi uma honra contar um pouco da sua história aqui no no meu blog sucesso sou da sua história de vida!!

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3 comentários:

De papo com Claudinha disse...

Agradeço demais pelo carinho que você tem comigo, por ler meu Blog e por me permitir fazer parte, alguns minutinhos da sua vida.

Desejo tudo de melhor para vocês!

Mix modas disse...

Obrigada você minha querida

Mix modas disse...

Obrigada você minha querida